Tudo começou na min­ha loja, um son­ho que eu sem­pre tive e graças a Deus con­segui realizar.

Eu e mais dois ami­gos começamos a nos orga­ni­zar para a expe­dição. Primeiro, entramos em con­ta­to com a Fáti­ma que mora­va em Orix­im­i­na, às mar­gens do rio Trom­be­tas para começar os prepar­a­tivos e orga­ni­zar nos­sa subi­da ao rio. A Expe­dição pre­cisou de muito plane­ja­men­to, pois a logís­ti­ca era muito com­plexa. O aces­so é muito com­pli­ca­do por lá. Além dis­so, nos­so acam­pa­men­to teria que ser mon­ta­do a 100km da comu­nidade da Cachoeira Porteira, que é com­pos­ta por Quilom­bo­las. Lá tem a últi­ma comu­nidade que pos­sui con­ta­to com a civ­i­liza­ção, além de pou­cas tri­bos indí­ge­nas que prati­ca­mente tam­bém não têm con­ta­to. Até então, nós fomos os primeiros pescadores a ir para essa região remo­ta que nun­ca tin­ha sido explo­ra­da. Imag­inem a expectativa!

Chegou o dia da nos­sa aven­tu­ra. Mal dor­mi a noite de tan­ta expec­ta­ti­va. Às 04:00 da madru­ga­da fomos para o aero­por­to de Curiti­ba com des­ti­no ao Por­to Trom­be­tas. Cheg­amos lá às 17:30, e a lan­cha ráp­i­da já esta­va a nos­sa espera para subir­mos para a comu­nidade da Cachoeira Porteira. Ao chegar lá, por vol­ta das 19:00, nos dirigi­mos para a casa de um morador da comu­nidade onde estavam todos os ape­tre­chos sobre um bar­co de 11 met­ros. Tin­ha tudo, menos o com­bustív­el para a nos­sa pescaria, pois já havi­am lev­a­do para o acam­pa­men­to uma sem­ana antes. Com isso, jan­ta­mos e fomos dormir para começar uma jor­na­da lon­ga no dia seguinte.

Aman­heceu, tomamos café e engata­mos o giri­co no tra­tor para a aven­tu­ra. Eram 30km de estra­da de chão até chegar no Igara­pé do km 31 (esse era o apeli­do dado a ele porque pelo Trom­be­tas e antes do Igara­pé do 31, têm tre­chos de cachoeiras que não dá para nave­g­ar). Por esse moti­vo, teríamos que ir de tra­tor até lá. Chegan­do no Igara­pé, descar­reg­amos tudo, colo­camos os bar­cos e seguimos para uma viagem de 100km que iria até o nos­so acam­pa­men­to, onde era bem aci­ma do rio Caxipacoro.

Que viagem sofri­da viu! Foi uma ver­dadeira aven­tu­ra sobre o descon­heci­do, entre corre­deiras perigosas, flo­restas exu­ber­antes e uma natureza esplen­dorosa. Foi muito emo­cio­nante! A ansiedade era quase incon­troláv­el. Imag­ine só para um pescador estar indo para um lugar ain­da nun­ca pesca­do. Isso é o máximo!

Enfim, próx­i­mo às 18:00, cheg­amos ao acam­pa­men­to e fomos à lou­cu­ra quan­do vimos aque­le acam­pa­men­to mon­ta­do sem nen­hu­ma cor­da. Tudo esta­va amar­ra­do com cipó, era um show de acampamento!

Como já esta­va escure­cen­do, armamos nos­sas bar­ra­cas e fomos preparar a jan­ta jun­to com coz­in­heiras e piloteiros expe­ri­entes. Eles foram conosco para pilotar as lanchas.

Na primeira noite, lev­a­mos Mar­recos para com­er. E quan­do a coz­in­heira foi limpá-los na beira do rio deu um gri­to. Era porque um enorme trairão quase pegou a mão dela! Imag­inem a far­tu­ra de peix­es. Não víamos a hora de aman­hecer o dia para pescarmos.

Aman­heceu e fomos pescar. Apoita­mos o bar­co com o piloteiro bil­ha na boca do Mungu­ba (nome dado ao lugar entre duas ilhas que for­ma um poço pro­fun­do). Arremes­sei a lin­ha e não demor­ou muito, peguei uma bela Pirarara. Como fomos no mês de agos­to, o rio esta­va um pouco cheio e os Tucu­narés e Trairões estavam difí­ceis de encon­trar, mas peix­es de couro e pira­nhas não fal­tavam. Peg­amos alguns Tucu­narés e muitas Pirararas! Todas gigantes, próx­i­mo ou maior que 50kg. O inter­es­sante que não peg­amos Jaús e nem Piraibas. Ninguém soube explicar porquê, mas as pira­nhas pre­tas enormes de até 4 kg atra­pal­haram muito a pescaria, pois não davam chance para out­ros peix­es pegarem.

Foram 10 dias de pesca mas valeu muito a pena! Fomos os primeiros a pescar naque­le rio mar­avil­hoso e inex­plo­rado naque­la região.

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